Quanto vale um professor?

Quanto vale um professor?

Quanto vale um professor?

 

Estou propondo uma necessária reflexão sobre o cuidado que todos nós podemos e devemos ter com nossos professores se quisermos ter um educação melhor para nossos filhos e uma pátria realmente educadora.

Não há dúvidas que a educação é importante e imprescindível em qualquer sociedade. O grau de desenvolvimento e de riqueza de um país passa, necessariamente, pelos níveis de escolarização de seu povo. Estudos mostram que os índices de pobreza, violência, indigência, mortalidade infantil, homicídios, latrocínios, corrupção e tantos outros males que nos preocupam e nos causam insegurança e indignação, são drasticamente diminuídos quando a educação é colocada como prioridade efetiva nas gestões públicas e na forma como a sociedade cuida dos processos educativos escolares.

De modo geral, há um consenso de que a educação é importante. Os políticos são os primeiros a pronunciarem discursos inflamados (principalmente em época de eleição) em defesa da educação e do quanto vão se empenhar para que a educação seja prioridade em governos.

A grande maioria dos pais almeja que seus filhos possam ter escola de qualidade e muitas vezes estão até dispostos a pagar pela escola de seus filhos desde que esta garanta uma aprendizagem compatível com as exigências do futuro profissional. No entanto, efetivamente, estamos muito longe de ter uma educação de qualidade em nosso país e a suposta centralidade da educação não ultrapassa os limites do discurso retórico. Estamos muito distantes de ter “um país com educação de qualidade”.

Minha experiência, de mais de 30 anos lidando com educação escolar nos mais diversos níveis (da educação infantil ao doutorado, formação de professores, palestras, cursos, discussão com especialistas, integrando comissões, avaliando instituições etc), bem como minhas pesquisas que tenho desenvolvido nos últimos mais de 20 anos anos, divulgadas nos mais de 30 livros organizados e nos mais de uma centena de artigos publicados em diversos periódicos qualificados no Brasil e alguns no exterior, me fazem concluir que não se pode ter educação de qualidade sem cuidar do professor.

Mas quanto vale um professor?

Não estou falando de salário, de remuneração ou da folha de pagamento dos municípios, dos estados ou das instituições privadas que atuam com educação. Não estou falando da quantidade de dinheiro que cada família investe na educação dos seus filhos.

Estou falando do valor simbólico e social de um professor; estou me referindo ao reconhecimento que qualquer profissão precisa ter para que possa ser exercida com dignidade, com paixão e com dedicação; estou alertando para o fato de que os estudos mostram que num futuro próximo não teremos mais professores para educar nossos filhos; estou propondo uma necessária reflexão sobre o cuidado que todos nós podemos e devemos ter com nossos professores se quisermos ter um educação melhor para nossos filhos e uma pátria educadora.

Não tenho dúvidas que existem muitos tipos de professores: assim como há professores dedicados, comprometidos, entusiasmados pelo que fazem, educadores no pleno sentido da palavra; há também aqueles que, infelizmente, são relapsos, acomodados, irresponsáveis, descomprometidos, que se tornaram professores “por acidente” ou por falta de opção e que alguns poucos chegam a envergonhar nossos sistemas educacionais.

Na grande maioria das escolas encontramos os dois tipos de professores e talvez é de nossa responsabilidade valorizarmos aqueles que diariamente “gastam” sua vida para que nossos filhos tem uma educação de qualidade, uma educação pautada nas virtudes, que lutam bravamente para contribuir na formação de uma educação cidadã.

A pandemia revelou de forma cruel e implacável o quando uma sociedade sofre com escolas fechadas, com a ausência de uma convivência social organizada e formativa entre crianças, jovens e adultos nos ambientes escolares e como toda comunidade sobre com a desescolarização.

Mesmo neste momento difícil de isolamento social, a grande maioria dos professores não mediu esforços para se reinventar e reinventar alternativas para não deixar crianças, jovens e adultos sem momentos formais de ensino e de aprendizagem.

Não faltaram desinformados e mensageiros da maldade que, sem saber as reais situações de precarização que muitos professores, compartilharam em suas “bolhas digitais” calúnias e fakes ofensivas aos professores, exigindo que as escolas fossem imediatamente abertas, pois “lugar de criança é na escola e que se dane a pandemia”. Professores perderam sua vida do retorno precoce das aulas em certas escolas.

 Valorizar o trabalho do professor, reconhecer sua importância, participar das atividades da escola, ser uma presença ativa na educação dos filhos, conhecer a forma como os professores realizam o seu trabalho, tornar a educação dos filhos o centro de nossa atenção são alguns indicativos para que a educação ocupe o lugar que ela merece no mundo em que vivemos.

O tipo de ser humano e de profissional que se tornará nosso(a) filho(a) depende do tipo de formação que ele(a) está tendo na escola e em nossa casa. Assim, ao invés de perguntarmos que mundo deixaremos para nossos filhos, devemos perguntar que filhos deixaremos para este mundo.

Em outra publicação Educar o Educador, escrevemos: “A obrigação de educar é assunto público ou questão privada? Por que há de ser obrigatório educar? E quem educa o educador? São questões que dizem respeito a todos nós e por isso precisamos pensar juntos”. Leia mais!

Autor: Dr. Altair Alberto Fávero

Edição: Alex Rosset

 

Altair Alberto Fávero

altairfavero@gmail.com Professor e Pesquisador do Mestrado e Doutorado em Educação – UPF 

 

https://www.neipies.com/quanto-vale-um-professor/ 




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