Reflexões sobre mudanças
Às vezes eu paro.
06/01/2026
Não pra discutir.
Não pra responder comentário.
Não pra ganhar debate.
Eu paro pra olhar.
Olhar amigos de infância. Amigos de rua. Amigos que jogaram bola descalço, que tomaram vacina em fila de posto, que choraram com febre enquanto a mãe dizia “aguenta, filho, é pro seu bem”.
E hoje…
Hoje essas mesmas pessoas dizem que doença é invenção, que vacina é mentira, que posto de saúde é armadilha da esquerda.
E isso dói de um jeito que não faz barulho.
Porque ignorância não é mais só um problema individual.
Ela virou herança.
Quando um pai decide não vacinar o filho, ele não está fazendo uma escolha política.
Ele está apostando o corpo de uma criança numa teoria de WhatsApp.
Quando um avô se orgulha de dizer que “meus netos não tomam essa porcaria”, ele não está sendo corajoso.
Está sendo negligente com o futuro.
O Brasil erradicou doenças que hoje só aparecem em livro antigo e foto em preto e branco.
Paralisia infantil.
Sarampo.
Rubéola.
Coqueluche.
Doenças que deixaram sequelas, deformaram corpos, enterraram crianças.
Doenças que não sumiram sozinhas.
Foram combatidas com ciência, com vacina, com SUS, com política pública — aquela mesma que hoje é chamada de “comunismo”.
E sabe o que mais machuca?
Não é o ódio.
É a amnésia.
Essas pessoas não nasceram em laboratório.
Nasceram em maternidade pública.
Foram vacinadas no braço, chorando.
Foram protegidas por um sistema que hoje desprezam.
Elas vivem como se fossem exceção.
Como se tivessem vencido sozinhas.
Como se a ciência nunca tivesse passado por elas.
Bolsonaro não criou a ignorância.
Mas deu licença moral pra ela falar alto.
Deu microfone pra burrice.
Transformou desinformação em identidade.
E agora tem pai criando filho sem vacina.
Tem mãe com medo de posto de saúde.
Tem avô brincando com o risco biológico do próprio sangue.
E quando essas doenças voltarem — porque elas vão voltar
não vai ser ideologia que vai proteger ninguém.
Vai ser o mesmo hospital público.
O mesmo médico.
A mesma ciência que hoje é chamada de mentira.
A tragédia não é só adoecer.
É adoecer por escolha.
É sofrer por ignorância herdada.
E a reflexão que fica não grita.
Ela sussurra, pesada:
Não existe liberdade em negar ciência.
Existe apenas a covardia de quem escolhe acreditar em mentiras
e transfere o preço dessa escolha
para os próprios filhos e netos.
Silêncio também é dor.
E essa…
vai custar gerações.
Ass : André Luiz Thiago também conhecido por André negrão.
FONTE:
------------------------------------------
O falso forte: um stand-up trágico sobre poder, mentira e covardia
A madrugada é um lugar perigoso.
Não porque tem fantasma.
Mas porque tem silêncio, café ruim e notícia boa — daquelas de fonte confiável, que não grita em caixa alta nem termina com “COMPARTILHE ANTES QUE APAGUEM”.
E foi numa dessas madrugadas que eu parei pra olhar, com calma, a carreira política de Jair Bolsonaro.
Sem meme. Sem torcida. Sem fake news.
Só fatos. E, olha… dói.
O mito que nasceu da impunidade
Antes da política, o homem já dava sinais.
Ainda no Exército, foi acusado de indisciplina grave e de atentar contra a própria instituição — algo documentado pela imprensa da época. Não foi punido de forma exemplar. Sobreviveu politicamente.
E aqui nasce o primeiro erro estrutural do Brasil: impunidade gera monstros.
Quem não aprende limite no começo, vira adulto achando que pode tudo.
Décadas de mandato, quase zero legado
Bolsonaro foi vereador, depois deputado federal por 28 anos.
Sabe quantos projetos relevantes, estruturais, com impacto real na vida do povo ele deixou?
Nenhum de grande alcance social comprovado.
A maioria das proposições aprovadas foram:
homenagens,
datas comemorativas,
projetos corporativistas,
ou medidas sem impacto direto na vida da população mais pobre.
Isso não é opinião.
É levantamento de produção legislativa.
A política como negócio de família
Depois veio o plano perfeito:
transformar o sobrenome em franquia eleitoral.
Filhos ocupando cargos:
vereador,
deputado estadual,
deputado federal,
senador.
E não, isso não é crime automaticamente, mas quando se soma a:
investigações sobre rachadinhas,
uso político de assessores,
relações obscuras com milícias investigadas,
tentativas reiteradas de interferência em órgãos de controle,
…a pergunta deixa de ser ideológica e vira moral.
Religião como figurino
Bolsonaro nunca foi um homem religioso no sentido bíblico.
Não há histórico de fé, leitura bíblica, prática cristã ou testemunho coerente.
Mesmo assim, vestiu o figurino:
virou “Messias” de campanha,
citou Deus como escudo,
usou igrejas como palanque.
Cristianismo virou marketing.
Jesus virou slogan.
E isso é grave, porque fé não é massa de manobra.
A pandemia: quando a ironia vira crime histórico
Aqui não tem piada.
Durante a pandemia:
o Brasil teve mais de 700 mil mortos;
houve negação sistemática da vacina;
ataques públicos à ciência;
sabotagem de medidas sanitárias.
Mesmo com um ministro técnico como Luiz Henrique Mandetta, que defendia vacinação e protocolos, Bolsonaro escolheu o negacionismo.
Isso não foi erro.
Foi escolha política.
“Só Deus me tira da cadeira” — tirou
Bolsonaro dizia:
“Só Deus me tira da presidência.”
Deus tirou.
Pelo voto.
E aí o homem que dizia amar a democracia mostrou quem era de verdade.
O golpista inconformado
Após perder a eleição:
atacou o sistema eleitoral,
desacreditou as instituições,
incentivou ruptura institucional.
As investigações posteriores apontaram articulações golpistas, inclusive com planos que envolviam autoridades do Estado.
Não é narrativa de esquerda.
É apuração da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal.
O torturador que não aguenta ar-condicionado
Aqui a ironia vira símbolo.
O homem que:
exaltava torturador da ditadura,
defendia práticas do Carlos Alberto Brilhante Ustra,
…depois reclamou que barulho de ar-condicionado era tortura.
O “valente” desmoronou diante do mínimo desconforto.
Clássico perfil: valentão de colégio que bate em quem não reage
e chora quando alguém enfrenta.
Histórico de atleta… tropeçando na própria narrativa
“Histórico de atleta.” “Treinado sob pressão.” “Homem forte.”
Mas:
negou a gravidade da covid,
minimizou mortes,
tentou se vitimizar a cada consequência,
fugiu politicamente,
se escondeu atrás de seguidores.
Força de verdade é assumir erro.
O resto é teatro.
Reflexão final (pra direita, esquerda e quem ainda pensa)
Isso não é sobre ser conservador ou progressista.
É sobre caráter.
Você pode ser de direita e exigir:
responsabilidade,
verdade,
respeito às instituições.
Você pode ser de esquerda e exigir:
coerência,
ética,
democracia.
O que não dá é defender mentira só porque veste a camisa do seu time.
Bolsonaro não é um herói trágico.
É um produto da impunidade, do culto à ignorância e da política sem responsabilidade.
E a pergunta que fica — e incomoda — é simples:
Se esse tipo de liderança representa você… o que isso diz sobre o futuro que você quer deixar pros seus filhos?
Ass : André Luiz Thiago também conhecido por André negrão.
FONTE:
---------------------------------------------




