Respeito com as Escolas de samba

Respeito com as Escolas de samba

MAIS RESPEITO COM AS ESCOLAS DE SAMBA

Por Dacio Malta*,

Especial para o QUARENTENA NEWS

Não estou entendendo bem esse debate sobre a Acadêmicos de Niterói que, vencendo a Série Ouro no ano passado, subiu para o Grupo Especial das Escolas de Samba do Rio de Janeiro.

É bom lembrar que, todo enredo de uma escola de samba, é uma exaltação ou uma crítica, a determinada personalidade - viva ou morta - ou a algum fato histórico ou de costumes. E isso ocorre em qualquer manifestação artística. O mesmo vale para o cinema ou o teatro.

Escolas de samba que sobem para o Grupo Especial, geralmente descem no ano seguinte.

Sabendo disso, a Acadêmicos de Niterói decidiu ir para o tudo ou nada, e escolheu como tema o enredo "Do alto mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil". Um cidadão que pela terceira vez exerce a presidência da República não merece um enredo?

Sexta-feira passada houve o ensaio técnico na Sapucaí, com a presença inclusive de Janja.

Alguns poucos componentes fizeram o L e, agora vem a discussão se no Domingo de Carnaval, repetir o L fará a escola perder pontos. Ou não.

A direção da escola já pediu a seus integrantes que evitassem o gesto.

Mas por que razão ela perderia pontos?

Alguns argumentam que isso é propaganda política antecipada.

Mas o que os jurados das escolas têm a ver com isso? Eles têm procuração do TSE para julgar se o gesto é ou não propaganda?

A eles cabem apenas julgar os quesitos fantasia, harmonia, melodia, evolução, alegoria, evolução, comissão de frente, bateria, letra do samba, enredo e mestre sala e porta-bandeira.

Sem esquecer a cronometragem. Mas isso fica com a burocracia da Liesa.

No quesito evolução, o que está em julgamento é:

a) a espontaneidade

b) a criatividade

c) a empolgação

d) a vibração

e) a agilidade

f) o vigor.

Acredito que fazer o L não contraria a nenhuma dessas exigências.

Basta haver espontaneidade, empolgação, vibração e vigor.

Se, por hipótese, uma escola fosse desfilar com um enredo que tratasse dos "Golpistas do Brasil e o 8 de Janeiro", e os componentes fizessem o gesto da "arminha", isso seria campanha política antecipada contra o senador Flávio Bolsonaro?

Por favor, respeitem os foliões.

Respeitem o Carnaval.

Mais respeito com as Escolas de Samba.

*Dacio Malta é jornalista e foi diretor de redação dos principais jornais do Rio de Janeiro.

IMAGEM: JAB com IA

 

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QUANDO A GLOBO ESCOLHE NÃO MOSTRAR

 

A transmissão do desfile da Acadêmicos de Niterói, com enredo sobre Luiz Inácio Lula da Silva, foi marcada por um tom excessivamente protocolar da TV Globo.

Ninguém esperava aplausos, exaltações ou editoriais emocionados. O que se esperava era mostrar o desfile.

Mostrar a avenida, as alas. Mostrar as fantasias, as alegorias. Mostrar o que estava acontecendo na Marquês de Sapucaí.

A transmissão começou com cerca de 30 minutos de atraso, quando a escola já estava no meio da avenida. Trinta minutos não são detalhes técnicos.

No carnaval, são narrativas, são clímax, são comissões de frente, são a construção simbólica do enredo.

Deixar de transmitir esse trecho é amputar a história que a escola se propôs a contar. É retirar do público o direito de acompanhar o desfile em sua integralidade.

Além do atraso, a edição privilegiou planos gerais, mais distantes, com menos tempo de câmera para alegorias, fantasias, alas coreografadas e convidados.

O resultado foi uma cobertura fria, quase burocrática, como se a emissora precisasse cumprir tabela sem se envolver com o que estava sendo apresentado.

Não se trata de pedir entusiasmo, mas sim de garantir visibilidade.

O carnaval nunca foi apenas festa. Sempre foi também palco de crítica social, sátira política e posicionamento.

Basta lembrar os desfiles históricos de Joãozinho Trinta que transformaram a avenida em espaço de confronto simbólico, questionando poder, desigualdade e hipocrisia.

Em diferentes momentos escolas levaram à Sapucaí denúncias, ironias e reivindicações e isso faz parte da tradição do samba-enredo.

Tentar enquadrar esse espírito em uma moldura excessivamente neutra é ignorar a própria natureza do espetáculo.

A Globo não precisava enaltecer o enredo. Não precisava concordar. Não precisava editorializar. Mas precisava mostrar.

Precisava transmitir desde o início. Precisava permitir que o público formasse sua própria opinião a partir das imagens completas.

Deixar de transmitir cerca de 30 minutos de um desfile é descaso com a escola, com os profissionais que trabalharam o ano inteiro e com o telespectador.

É reduzir o carnaval a um produto que pode ser editado conforme conveniência. Para muitos, foi a Globo sendo a Globo. Formal quando convém, contida quando o enredo provoca, econômica nas imagens quando o tema incomoda.

Não se trata de política partidária. Trata-se de compromisso com a transmissão integral de um dos maiores espetáculos culturais do país.

O carnaval é excesso, é cor, é discurso. E merece ser mostrado por inteiro, sem cortes que falem mais alto que o samba.

FONTE:

René Ruschel 

 

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O enredo da Acadêmicos de Niterói constrói uma homenagem ampla ao Brasil popular e solidário e, na expressão simbólica “Brasil da Silva”, representa o cidadão comum que edifica o país.

“Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil”, embora Lula seja o eixo narrativo, a proposta não se restringe a uma figura individual e articula personagens e referências ligadas à luta social, ao enfrentamento da fome e à superação da pobreza.

Ao lado de Lula e de sua mãe, Dona Lindu, surgem Betinho, como símbolo histórico da mobilização contra a fome, os trabalhadores, migrantes nordestinos, mulheres e famílias que enfrentaram a exclusão, estudantes e filhos da classe trabalhadora como imagem da ascensão pela educação, os movimentos sociais e a solidariedade coletiva como expressão de organização popular, além da democracia como conquista a preservar e da soberania nacional como afirmação de autonomia.

O samba enredo também valoriza a dignidade do trabalho, a defesa da vida e reafirma a ideia de que o amor e a esperança vencem. O refrão “Olê, olê, olê, olá…” envolve a arquibancada e sintetiza, na cadência do samba, a essência participativa do carnaval, tornando-se a marca sonora e a síntese popular do enredo.

“Vale uma nação – o amor venceu o medo”

Se o ideal valer, nunca desista

Não é digno fugir, nem tão pouco permitir

Leiloarem isso aqui, a prazo, à vista

É, tem filho de pobre virando doutor

Comida na mesa do trabalhador

A fome tem pressa

Betinho dizia (pois é, pois é, pois é)

É, teu legado é o espelho das minhas lições

Sem temer tarifas e sanções

Assim que se firma a soberania

Sem mitos falsos, sem anistia (quanto?)

Quanto custa a fome? (Quanto custa a fome?)

Quanto importa a vida? (Quanto importa a vida, Niterói?)

Nosso sobrenome

É Brasil da Silva

Vale uma nação, vale um grande enredo

(vale uma nação, vale um grande enredo)

Em Niterói, o amor venceu o medo

Vale uma nação, vale um grande enredo

Em Niterói, o amor venceu o medo

Olê, olê, olê, olá (canta Sapucaí!)

Vai passar nessa avenida mais um samba popular

Olê, olê, olê, olá

Lula! Lula! (Olê, olê)

Olê, olê, olê, olá

Vai passar nessa avenida mais um samba popular (olê, olê)

Olê, olê, olê, olá

Lula! Lula!

Olê, olê, olê, olá (ei, psiu)

Lula! Lula! (É de arrepiar, é Lulalá!)

Olê, olê, olê, oláLula! Lula!

FONTE:

Cleusa Slaviero

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O nó é "campanha antecipada, ou verba pública? Sim, pois a imprensa (sempre ela), já fez vistas grossas às homenagens (com verba pública), feitas aos maior contraventores do jogo do bicho do RJ....

Não existe uma lista oficial única, mas é possível identificar pelo menos 4 grandes banqueiros do jogo do bicho que já foram homenageados diretamente como tema de enredo por escolas de samba do Rio de Janeiro.

Banqueiros do bicho já homenageados:

Castor de Andrade: Escola: Mocidade Independente de Padre Miguel - Ano: 1987 - Enredo: “Tupinicópolis” (na prática, foi uma grande celebração da gestão e da figura de Castor, patrono da escola)

Anísio Abraão David: Escola: Beija-Flor de Nilópolis - Ano: 2007 - Enredo: “Áfricas: do Berço Real à Corte Brasiliana”

O desfile marcou os 60 anos da Beija-Flor e foi amplamente interpretado como homenagem ao patrono.

Capitão Guimarães: Escola: Vila Isabel - Ano: 1988 - Enredo: “Kizomba, a Festa da Raça” Embora o enredo fosse oficialmente sobre cultura negra, o desfile também celebrou o patrono da escola.

Miro Garcia: Escola: Unidos da Vila Santa Tereza (grupo de acesso) - Houve homenagens locais ligadas à atuação como patrono.

OS PATROCÍNIOS DESTAS HOMENAGENS FORAM FEITAS COM DINHEIRO PÚBLICO

No carnaval do Rio (especialmente Grupo Especial), o desfile é financiado por várias fontes ao mesmo tempo:

Teve dinheiro público? Sim, há verba pública envolvida no carnaval, como: Subvenção da Prefeitura do Rio

Apoio do Governo do Estado

Recursos via Riotur: Esse dinheiro é destinado oficialmente para custear a estrutura do desfile (alegorias, fantasias, logística).

Historicamente, vários banqueiros do jogo do bicho atuavam como patronos privados, injetando recursos próprios nas escolas.

Então as homenagens foram feitas com dinheiro público?

Sim, porque o desfile como um todo recebe verba pública. Mas não exclusivamente, pois há forte participação de recursos privados.

Vou explicar como funciona a subvenção pública às escolas de samba do Rio e dar a faixa de valores mais recentes.

Como funciona a subvenção pública

A Prefeitura do Rio (via Riotur) firma um convênio anual com a Liesa (Grupo Especial) e com a LigaRJ (Série Ouro). O dinheiro é repassado diretamente às escolas, com regras de prestação de contas.

Não é uma verba “carimbada” para enredo específico — a escola decide o tema.

Quanto cada escola recebe? Valores recentes (referência 2023–2025): Grupo Especial (Sapucaí – Liesa)

Entre R$ 2 milhões e R$ 2,5 milhões por escola, 12 escolas aproximadamente

Série Ouro (acesso): Entre R$ 800 mil e R$ 1,2 milhão por escola

Importante: O custo real de um desfile do Grupo Especial costuma ficar entre R$ 8 milhões e R$ 15 milhões por escola.

Ou seja: A verba pública cobre apenas parte do orçamento.

O restante vem de patrocínio privado, parceiros comerciais e patronos.

Fontes: Google/ChatGPT

FONTE:

Gladys Bastyi 

 

 

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“Lula está pagando escola de samba com dinheiro público.”

E eu sei o que acontece quando você lê isso.

Indignação imediata.
Sensação de escândalo.
Vontade de compartilhar antes mesmo de entender.

Mas deixa eu te convidar para algo raro hoje em dia: método.

Existe verba pública para o Carnaval? Sim.
Existe escola que vai homenagear Lula? Sim.
Existe decisão judicial dizendo que houve ilegalidade? Não.

Percebe a diferença entre fato, hipótese e narrativa?

Em ano eleitoral, disputa simbólica vira munição.
Dinheiro público vira slogan.
Investigação vira condenação antecipada.

E é exatamente assim que a polarização se alimenta.

Questionar é legítimo.
Fabricar escândalo antes do julgamento é estratégia política.

Se você quer entender política internacional, democracia e disputa de poder sem virar refém de manchete inflamada, você precisa de uma coisa só: organização de pensamento.

Porque indignação sem método é manipulação pronta para consumo.

Se esse tipo de análise te ajuda a pensar com mais clareza, curte, compartilha e salva.

O debate público precisa de menos grito e mais estrutura.

narrativa dominante, disputa simbólica, impessoalidade administrativa, polarização eleitoral, método analítico, lei rouanet

 

FONTE:

@proflucasleite  

 

 

 




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