Tempo integral nos anos finais

Tempo integral nos anos finais expõe desigualdade racial: pretos e pardos têm menos acesso, mostra IBGE
A ampliação do ensino em tempo integral nos anos finais do ensino fundamental tem sido apresentada como estratégia para melhorar a aprendizagem e reduzir desigualdades educacionais no Brasil. No entanto, dados recentes do IBGE revelam que o acesso a essa modalidade ainda é profundamente desigual — atingindo sobretudo estudantes pretos e pardos de forma negativa.
Segundo o Censo Demográfico 2022, pretos e pardos representam a maioria da população jovem em idade escolar no país, mas continuam concentrados nas regiões e redes de ensino com menor oferta de tempo integral. Já a PNAD Contínua Educação indica que estudantes brancos têm maior probabilidade de frequentar escolas com infraestrutura ampliada, atividades complementares e jornada estendida.
A desigualdade se torna mais evidente nos anos finais (6º ao 9º ano), etapa marcada por aumento da evasão escolar. Entre adolescentes pretos e pardos, fatores como necessidade de trabalhar, deslocamentos longos, insegurança alimentar e menor oferta de escolas em tempo integral ampliam o risco de abandono.
Dados da Síntese de Indicadores Sociais mostram que jovens pretos e pardos também apresentam maior defasagem idade-série, reflexo de trajetórias escolares interrompidas e condições socioeconômicas adversas. Especialistas alertam que, sem expansão direcionada do tempo integral nas periferias urbanas e áreas rurais, a política pode acabar beneficiando majoritariamente estudantes de maior renda.
Educadores defendem que a escola em tempo integral, quando implementada com qualidade, pode reduzir desigualdades históricas ao oferecer alimentação, atividades culturais, esportivas e apoio pedagógico — elementos essenciais para estudantes que vivem em contextos de vulnerabilidade.
O desafio, segundo pesquisadores, é garantir que a expansão priorize justamente os territórios onde estão a maioria dos estudantes pretos e pardos, transformando a política em instrumento de equidade racial e social, e não apenas de ampliação quantitativa de matrículas.
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