Uma facção criminosa

Uma facção criminosa

PARTIDO LIBERAL: UMA FACÇÃO CRIMINOSA (NÃO SALVA UM)

Thomas de Toledo  20/12/2026

 

 

 

O Partido Liberal (PL) deixou de funcionar como um partido político no sentido razoável do termo. Desde seu mais novo negócio de politicagem, ele passou a operar como uma legenda de aluguel a serviço da família Bolsonaro e do que há de mais atrasado, violento e antidemocrático na extrema direita brasileira. Ironicamente, de liberal eles não têm nada, exceto na economia com a privataria, o desmonte e o aparelhamento das empresas estatais e dos órgãos públicos.

O PL não se trata mais de uma agremiação com programa, ideias ou projeto de país, mas de uma estrutura contratada para oferecer abrigo eleitoral, acesso a fundo partidário e tempo de TV. Em troca, lealdade cega, silêncio, cumplicidade e disposição permanente para atacar instituições.

Patriotismo é apenas um chavão eleitoreiro. Na prática, o PL atua alinhado a governos estrangeiros, reproduzindo suas agendas. Servem de fato como correia de transmissão de interesses dos Estados Unidos e de Israel, mesmo quando isso contraria a soberania nacional, a política externa brasileira e os interesses do próprio povo.

Quem administra esse balcão de negócios é Valdemar Costa Neto (PL-SP), personagem lendário da política fisiológica, condenado no mensalão e de um sistema que sobrevive de corrupção, chantagem e impunidade. Daí se compreende a lógica do orçamento secreto, emendas Pix e outras aberrações surgidas de quando esses ratos governaram o país.

A cada semana surgem novos escândalos que ajudam a entender por que o PL trava uma guerra permanente contra o Supremo Tribunal Federal e contra a Polícia Federal. Não é ideologia, é instinto de autopreservação criminosa.

A investigação recente envolvendo o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Carlos Jordy (PL-RJ) revelou a apreensão de cerca de 450 mil reais em dinheiro vivo, acondicionado de forma típica de quem não quer deixar rastros nem prestar contas. O caso envolve suspeitas graves de corrupção e peculato, com indícios de desvio de verbas públicas por meio de esquemas de superfaturamento da compra combustível com verbas de gabinete. Essa prática velha é conhecida pelos que tratam o orçamento como caixa pessoal e a política como negócio privado.

O caso lembrou das compras de mansões com malas de dinheiro não declarados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Ele, sabidamente ligado às milícias e ao crime organizado do Rio de Janeiro, fez sua rachadinha de gabinete, empregando familiares de milicianos, todos publicamente homenageados por ele.

O PL já pode ser chamado, sem exagero, de bancada de foragidos e sabotadores. Eduardo Bolsonaro (PL-SP), Carla Zambelli (PL-SP) e Alexandre Ramagem (PL-RJ) transformaram a fuga, o vitimismo e o ataque às instituições em método de ação. Fugiram do Brasil para sabotar o país no exterior e ainda assim permanecem, mesmo já sendo condenados.

Nada disso são casos isolados, mas peças centrais de um projeto de poder baseado na intimidação, na mentira, na violência simbólica e na tentativa constante de implodir o sistema democrático por dentro.

No centro desse pântano está, obviamente, Jair Messias Bolsonaro, já condenado politicamente e judicialmente, cercado por militares e civis também condenados pela tentativa de golpe contra a democracia. O PL não apenas acolheu Bolsonaro como endossou, financiou e defendeu cada etapa do processo golpista, do discurso de ódio ao ataque sistemático às urnas, da conspiração aberta ao silêncio cúmplice diante dos crimes cometidos. Trata-se de um partido que escolheu conscientemente romper com a legalidade para proteger um projeto fascistóide derrotado nas urnas.

Os números escancaram o tamanho do problema. Um terço da bancada do PL na Câmara é composto por deputados réus em ações penais ou formalmente investigados por corrupção, desvio de emendas, organização criminosa e outros crimes contra a administração pública. Responder à Justiça virou regra interna, não exceção. Quando uma legenda concentra esse nível de criminalidade estrutural, já não se pode falar em desvios individuais, mas em método, cultura e prática institucionalizada do crime.

As acusações envolvendo o partido se repetem em blocos bem definidos. No campo da corrupção, do desvio de recursos públicos e do peculato aparecem nomes como Josimar Maranhãozinho (PL-MA), Detinha (PL-MA), Junior Lourenço (PL-MA), Robinson Faria (PL-RN), João Carlos Bacelar (PL-BA), Professor Alcides (PL-GO), Ricardo Salles (PL-SP) e Gilvan da Federal (PL-ES). Este último tem uma coleção de processos que ultrapassa os dois dígitos. São casos que envolvem uso de emendas parlamentares como moeda de troca, contratos suspeitos, enriquecimento incompatível com a renda e esquemas regionais de saque ao dinheiro público. O padrão se repete porque é assim que a legenda funciona.

Outro grupo concentra acusações eleitorais, abuso de poder político, disseminação de fake news e ataques diretos ao sistema democrático. Aqui entram Bia Kicis (PL-DF), Carla Zambelli (PL-SP), Eduardo Bolsonaro (PL-SP), Nikolas Ferreira (PL-MG), Gustavo Gayer (PL-GO), André Fernandes (PL-CE), Caroline De Toni (PL-SC), Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP), Mario Frias (PL-SP), Zé Trovão (PL-SC), Sonize Barbosa (PL-AP) e Silvia Waiãpi (PL-AP). Esses são figuras recorrentes em processos no TSE e no STF por crimes eleitorais, incitação ao golpe, ataques às urnas, uso ilegal das redes sociais e tentativa deliberada de deslegitimar a democracia. O moralismo performático dessa turma desmorona diante do prontuário judicial que cada um carrega.

Há ainda o núcleo mais perigoso, ligado à militarização da política, à violência institucional e à nostalgia explícita da ditadura. Nesse bloco aparecem Alberto Fraga (PL-DF), Coronel Meira (PL-PE), Coronel Fernanda (PL-MT), Delegado Caveira (PL-PA), Delegado Éder Mauro (PL-PA), Alexandre Ramagem (PL-RJ), General Girão (PL-RN), General Pazuello (PL-RJ), Adilson Barroso (PL-SP), Daniel Agrobom (PL-GO), Junio Amaral (PL-MG), Joaquim Passarinho (PL-PA) e Júnior Mano (PL-CE). São policiais e militares de pijama que deixaram a farda para monetizar o ódio na política, muitos envolvidos em improbidade administrativa, abuso de autoridade, crimes eleitorais e ataques às instituições. Todos defensores da tortura, da ditadura e da violência como método de governo, agora convertidos em empresários da política e da desinformação.

Completa esse cenário a presença constante de pastores falastrões como Marco Feliciano (PL-SP). Od empresários da religião usam o PL como plataforma para explorar a miséria, arrancar dinheiro dos mais pobres, promover intolerância religiosa e transformar púlpito em palanque. Religião vira instrumento de controle social, ódio vira discurso moral e a política vira negócio sujo travestido de bíblia e pregação.

Essa lógica criminosa não se limita a Brasília e desce com força para estados e municípios, onde o bolsonarismo opera do mesmo jeito, misturando marketing digital, religião, dinheiro público e ataque às instituições. Em Sorocaba, o prefeito Rodrigo Manga (PL-SP) construiu uma carreira com discurso moralista, espetáculo em redes sociais e aproximação explícita com o bolsonarismo. Enquanto isso, sua gestão passou a ser cercada por investigações, questionamentos sobre contratos, uso político da máquina pública e aparelhamento da prefeitura para autopromoção, num modelo que transforma administração em palco e política em negócio pessoal. Em Piracicaba, o caso de um vereador bolsonarista chamado Cássio Fala Pira (PL-SP) investigado por supostos abusos sexuais, segue a mesma cartilha. O padrão se repete: no discurso, Deus, pátria e família; na prática, suspeitas de corrupção, desprezo pela legalidade e uso do cargo como escudo para interesses privados, mostrando que o projeto do PL e do bolsonarismo é sistêmico, do Planalto ao gabinete de vereador.

Diante desse quadro, pode-se dizer que Partido Liberal não atua como organização política da democracia, mas como facção criminosa. Possui uma estrutura organizada para proteger criminosos, sugar recursos públicos, atacar órgãos de controle, sabotar a democracia e servir a interesses estrangeiros enquanto se fantasia de patriotismo. Uma organização com esse perfil não merece fundo partidário, tempo de propaganda nem o direito de disputar eleições.

O mínimo que se espera de um Estado que se leva a sério é a cassação do registro do PL e seu enquadramento político e jurídico como aquilo que ele já é na prática: uma facção criminosa travestida de partido.

FONTE:

https://www.facebook.com/thomasdetoledo33?locale=pt_BR 




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